Apresentação


Este blog destina-se a profissionais, estudantes e demais interessados nas áreas da Ciência da Informação, Arquitetura da Informação, Ciência da Computação, Tecnologia da Informação e História da Ciência, constituindo-se como um espaço para a publicação e discussão de temas que contribuam para a compreensão e desenvolvimento destas áreas

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Segunda Guerra Mundial - Desenrolar e Término

Segue a postagem da terceira e última parte do texto sobre a Segunda Guerra Mundial.
Aproveitamos para também postar as duas primeiras partes revisadas.

...No decurso da Segunda Guerra Mundial, podemos destacar o dia seis de junho de 1944, que entrou para a história como o Dia-D, como um dos mais importantes deste conturbado período. Naquela data, foi realizada, o que continua sendo até os dias atuais, a maior operação de invasão marítima da história. Contando com a participação de impressionante quantidade de navios de guerra, veículos navais e aéreos para o transporte de tropas e milhares de aviões de combate de variados modelos, a Batalha da Normandia, tratada pelo codinome de Operação Overlord, foi o marco que deu início à reação aliada que terminaria por libertar a França, oitenta dias mais tarde, definindo de forma inconteste os rumos e o fim da Guerra.

A maioria dos historiadores, entretanto, acredita que em junho de 1944 a queda Terceiro Reich já estaria definida, mas sem o sucesso da invasão da Normandia, região da França banhada pelo Atlântico e escolhida pelos aliados para o desembarque no continente, provavelmente os russos teriam vencido a Guerra sozinhos, alterando o equilíbrio das forças e o cenário político na Europa pós-guerra, abrindo o caminho para a hegemonia do comunismo no continente.

Muitos dos rumos e estratégias da guerra foram tomados sem o conhecimento público e, somente após a queda do Muro de Berlin e da dissolução da União Soviética, ocorrida oficialmente em 31 de dezembro de 1991, vieram à tona uma complexa rede de intrigas diplomáticas e documentos que comprovam os pactos de não agressão e acordos secretos para a divisão da Europa, firmados entre a Alemanha e a União Soviética, apenas duas semanas antes do início da Segunda Guerra, ocorrido em 01/09/1939 com a invasão e divisão da Polônia entre as duas potências. (229)

Entretanto, Hitler, após a tomada da França em apenas seis semanas, e sentindo-se forte o suficiente para dar os próximos passos em direção ao domínio mundial, precisava decidir-se entre atacar os britânicos, agora apoiados pelos norte-americanos, ou partir para a expansão de suas fronteiras orientais atacando e ocupando seu antigo aliado, a União Soviética. Analisando que britânicos e norte-americanos precisariam ainda de cerca de dois anos para se equiparem e oferecerem alguma ameaça real aos seus planos de hegemonia continental, resolveu-se pela segunda opção, deslocando grande parte de suas tropas para a invasão da União Soviética, iniciada em 22 de junho de 1941, com o codinome de Operação Azul.

Apesar de alertado por alguns de seus generais e por diversas evidências coletadas por seu sistema de informações, Stalin não acreditava na quebra do acordo e invasão eminente pela Alemanha. Uma vez concretizada tal situação, Stalin viu-se forçado a trocar de lado e propor um pacto aos britânicos. Por este novo acordo, os Aliados comprometiam-se a abrir uma segunda frente de batalha, atravessando o Canal da Mancha para retomar a França e forçar os alemães a deslocar grande parte de suas tropas para a região, aliviando a pressão sob a frente de batalha oriental.

Em sérias dificuldades para enfrentar e deter os alemães, Stalin esperava ansioso pela nova frente de batalha, entretanto, tal operação foi sendo postergada pelos aliados, da primavera para o verão, do verão para o outono, ano a ano, adiando a invasão da Normandia de setembro de 1942 até junho de 1944, enfurecendo Stalin e deixando as principais disputas da guerra ocorrerem entre alemães e soviéticos, com enormes perdas e dificuldades para estes.

Churchill, principal responsável pelas sucessivas postergações na abertura da nova frente de batalha, dominando o uso de táticas agressivas de negociação, as utilizava para preservar as tropas aliadas ao mesmo tempo que castigava as forças da Alemanha e da União Soviética.

“A demora é a forma mais letal de negociação.”

Desde 1942, o fronte oriental da guerra utilizava mais de 60% das divisões de combate de Hitler, enfrentando os soviéticos. Apesar da Batalha da Normandia ter recebido maior atenção da imprensa e historiadores ocidentais, e sem a intenção de desmerecer sua importância, não existem precedentes na história para o porte dos combates travados nos territórios ocupados da antiga União Soviética. Batalhas como as de Stalingrado, Kursk, Leningrado, Sebastopol, Kiev e Moscou, alteraram decisivamente o curso da Guerra.

A Batalha de Stalingrado (atual Volgogrado), considerada a batalha mais sangrenta da história da humanidade e o ponto de mudança no desdobramento da II Grande Guerra, foi marcada pela brutalidade e pelo desrespeito aos civis por ambos os lados. Iniciada em 19 de agosto de 1942 e vencida pelos soviéticos em 02 de fevereiro de 1943, sendo responsável, segundo estimativas, por perdas dos dois lados de mais de dois milhões de baixas, entre militares e civis.

Numa cidade sob escombros, e combatendo ferozmente de rua em rua, casa por casa, o exército alemão chegou a ocupar noventa por cento da cidade de Stalingrado e arredores, motivados por uma persistência quase insana, de Hitler, de tomar a cidade que tinha o nome do ditador soviético. Mas o desgaste diário dos mais de cinco meses desta operação, com baixas cada vez maiores de homens e equipamentos, teve um custo muito elevado para as forças do Eixo, destruindo um quarto do total de seus efetivos na Frente Oriental. A impossibilidade de Hitler cumprir suas reiteradas promessas feitas aos seus comandantes na frente de batalha, de enviar reforços e suprimentos, forçando os soldados alemães a passarem por enormes dificuldades e forte racionamento de comida, terminou por minar sua moral e gerar um sentimento de abandono e traição por parte do Reich. Ao final da batalha, os soviéticos somaram mais de um milhão de baixas, mas a partir desta derrota os nazistas não conseguiram mais se recuperar, sendo este o marco do início da libertação da União Soviética e da derrocada da Alemanha.

Cerca de cinco meses mais tarde, em 04 de julho de 1943, outra derrota do exército alemão, na batalha de Kursk, considerado o maior confronto de carros blindados de todos os tempos, arruinou sua temida capacidade ofensiva. De um lado, os países do eixo contavam com 900 mil soldados apoiados por 2.700 dos temíveis tanques Panzer, 10 mil peças de artilharia e 2.500 aviões, entre caças e bombardeios. Os soviéticos, que enfrentaram os alemães com 1,3 milhões de homens, cerca de 3.300 tanques, 20.000 peças de artilharia e mais de 2.600 aviões, cavaram trincheiras, instalaram baterias de canhões e minaram a área de combate. Os soviéticos contaram ainda com a ajuda do serviço de informações britânico, que por esta época já havia conseguido decodificar as mensagens da máquina Enigma, permitindo que soubessem com antecedência todos os planos bélicos das forças armadas da Alemanha para a campanha de Kursk. Ao final de oito dias de batalha, com suas tropas arrasadas e as divisões de tanques Panzer destruídas, Hitler, abatido e pessimista com o provável desenrolar da Guerra, suspendeu o ataque e ordenou a retirada de Kursk, contra a vontade de seus comandantes. Após a vitória em Kursk, o exército soviético, que até então apenas resistia ao avanço alemão, passou à contra-ofensiva, somente parando em Berlin, forçando a capitulação do Terceiro Reich, em 07 de maio de 1945.

Já no final de 1942, os países do eixo também enfrentavam problemas em outras frentes. Sem o devido apoio, provavelmente, em função da grande mobilização de suas forças combatendo os soviéticos, as tropas de ocupação da África, os AfricaKorps, comandados pelo general Erwin Rommel (1891 – 1944), foram derrotados no Egito, em outubro, pelo general britânico Bernard Montgomery (1887 – 1976), retirando-se rumo à Tunísia. Com o desembarque dos norte-americanos na região, em maio do ano seguinte, os AfricaKorps rendem-se, perfazendo cerca de 250 mil soldados alemães e italianos feitos prisioneiros. Em julho de 1943, os aliados desembarcam na Sicília, Benito Mussolini é destituído e a Itália muda de lado. Em início de junho de 1944, coincidindo com a invasão do noroeste europeu, a ofensiva aliada recupera Roma. Em setembro foi a vez de Florença, culminando com a rendição das forças alemãs na Itália, em abril de 1945.

Por sua magnitude e vital importância, a invasão da Normandia foi minuciosamente planejada, calculada e preparada pelo alto comando aliado. Grande parte do armamento bélico foi produzido nos Estados Unidos e transportado para o palco da batalha. Despistar o exército alemão da complexa logística e intensa movimentação de milhares de soldados, aeronaves, embarcações, veículos de transporte e de assalto, tanques de guerra, suprimentos, assim como confundir o inimigo sobre o local e data escolhidos, exigiu perícia e competência do sistema militar de informações dos aliados.

Doze nações aliadas incluindo a Austrália, Canadá, Bélgica, Estados Unidos, França, Checoslováquia, Grécia, Holanda, Noruega, Nova Zelândia, Polônia e Reino Unido participaram da invasão, fornecendo unidades de combate. A Operação Overlord teve seu início em 01 de junho de 1944, mas nos dias que antecederam o desembarque nas praias da Normandia, imperava um mau tempo com nuvens carregadas e chuvas intermitentes, dificultando a travessia do perigoso e traiçoeiro Canal da Mancha e protelando a ordem final de ataque do general norte-americano Eisenhower (1890 – 1969), o supremo comandante aliado. As tropas, já embarcadas nos porões de cerca de três mil barcos de transporte, ancorados na costa da Inglaterra, sofriam com os enjôos causados pelo tempo ruim. James Stagg, o oficial meteorologista, por fim, assegurou ao general Eisenhower que haveria uma trégua nas condições meterológicas no dia seis, definindo assim a data que viria a ficar conhecida como o Dia-D.

Ainda na madrugada do dia seis de junho, mais de 800 aviões lançaram seis regimentos de pára-quedistas anglo-americanos, com mais de 13 mil homens, atrás das defesas alemãs, frustrando a estratégia de Rommel e desorientando-os. Em seguida, ao amanhecer, cerca de 155 mil homem dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lançaram-se nas praias da Normandia.

Concluída a libertação de Paris, os exércitos aliados tomaram a direção da própria Alemanha, ultrapassando sua fronteira em setembro de 1944. Em início de 1945, norte-americanos e britânicos, pelo oeste, e soviéticos, pelo leste, disputavam uma verdadeira corrida para ver quem chegava primeiro em Berlin.

Para ler os textos completos, acesse os links abaixo.

Arquivos com os textos completos para consulta e download:
A Segunda Guerra Mundial - Desenrolar e Término

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Segunda Guerra Mundial - A Europa Caminha para a Guerra

Segue a postagem da segunda parte do texto sobre a Segunda Guerra Mundial.

Grandes acidentes, em geral, são motivados não por uma causa única, mas por uma combinação fatal de eventos. É provável que o desenrolar da História, com suas inúmeras possibilidades de desfecho, também se comporte da mesma forma, sendo o resultado do encadeamento de uma grande quantidade de escolhas. O historiador britânico Richard Overy (1947 - ), em seu livro “1939: Contagem Regressiva para a Guerra”, nos fornece um conjunto de motivações que poderiam ter formado o cenário propício à declaração final de guerra:

“A guerra iniciada em setembro de 1939 pode ser adequadamente explicada somente no contexto da deterioração da ordem européia durante a década de 1930, quando a crise econômica, a ascensão de ditaduras autoritárias, as profundas divisões ideológicas, as rivalidades nacionalistas e o colapso dos esforços da Liga das Nações para preservar a paz se combinaram para tornar provável um grande conflito.”

Diversas correntes históricas existem sobre este período, algumas postulando que a Segunda Guerra Mundial era inevitável, outras, que simplesmente foi algo indesejado e inesperado que fugiu ao controle daqueles que estavam participando de um jogo político. O próprio Churchill a chamava de a “Guerra desnecessária”, sustentando que se a Inglaterra tivesse se rearmado alguns anos mais cedo e oferecido resistência às ambições de Hitler, de forma clara e enérgica, ela poderia ter sido evitada. A tese de Churchill é rebatida pelos historiadores da linha da inevitabilidade, que preferem acreditar que se a Inglaterra tivesse seguido por esta linha mais dura, a guerra teria apenas sido inevitável mais cedo.

Outros historiadores sustentam ainda que Hitler, ao invadir a Polônia para retomar Danzig, não esperava, em absoluto, que isso fosse provocar a declaração de guerra por parte da Inglaterra, que culminou no conflito generalizado. E que, se Hitler tivesse completado a reunificação dos povos germânicos, incluindo a Áustria, a Renânia, os Sudetos, Danzig e o Corredor, através de plebiscitos e negociações diplomáticas, dificilmente o povo inglês, impregnado que estavam pela doutrina da autodeterminação, de Wilson, apoiaria a entrada da Inglaterra numa guerra para impedir o desejo dos próprios alemães de se unirem numa pátria única. A certeza que podemos ter, amparada pela visão de Overy, é de que houve alternativas e que a inevitabilidade da Guerra pode ser questionada:

“Por maiores, ou mais temporalmente abrangentes, que fossem as forças conduzindo à guerra, houve um momento em que elas tiveram que ser confrontadas, e decisões duras tomadas, pelos principais atores históricos envolvidos. Na história daqueles dramáticos dias imediatamente anteriores a deflagração da guerra, muita coisa ainda pendia na balança. Grandes eventos geram sua própria dinâmica e sua própria história interna. Hoje, a eclosão da guerra parece uma conseqüência natural da crise internacional provocada principalmente pela Alemanha de Hitler. O que se segue tem o objetivo de mostrar que nada na história e inevitável. O estranho diálogo entre sistema e atores está no cerne da narrativa histórica. Eventos podem, eles mesmos, ser tanto causa como consequência, especialmente aqueles que levaram a Europa à guerra setenta anos atrás.”

Diversos foram os momentos decisivos em que a Guerra poderia ter sido evitada, inúmeros foram os acasos e equívocos que conduziram ao seu desfecho. Assim, ficam no ar as possibilidades plausíveis, de que o principal evento catastrófico da história recente da humanidade, pudesse ter sido evitado ou que possa ter ocorrido por acidente de percurso, precipitado por erros de cálculo, informações imprecisas e avaliações políticas equivocadas, sem que o mesmo tenha sido efetivamente planejado ou mesmo desejado por seus principais protagonistas.

Para ler o texto completo, acesse o link abaixo.

Aproveitamos para republicar a primeira parte - Antecedentes -, agora revisada.

Arquivo com os textos completos para consulta e download:
A Segunda Guerra Mundial - Antecedentes
A Segunda Guerra Mundial - A Europa caminha para a Guerra

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Gestão de Processos de Desenvolvimento

Para os alunos dos cursos de Bacharelado e Tecnólogo em Sistemas de Informação da FACULDADE FACNET, do grupo Anhanguera Educacional, segue a postagem da apresentação da aula do dia 20/05/2010.

Arquivo com a apresentação completa para consulta e download:
Gestão de Processos de Software

sábado, 8 de maio de 2010

A Segunda Guerra Mundial - Antecedentes

Alguns historiadores consideram que a Segunda Guerra Mundial tenha sido nada mais que a continuação da Primeira que, ao seu término, não conseguiu trazer a solução para nenhum dos problemas que a provocaram. Assim, não teria havido de fato uma Segunda Guerra, mas apenas uma trégua entre dois momentos de uma mesma guerra. 

Por este motivo, achamos interessante incluirmos um capítulo dedicado a Primeira Guerra Mundial, como ponte para o entendimento das tensões e motivações que, 21 anos após o seu término, culminaram no início, ou recomeço, de um novo conflito mundial. Este texto foi disponibilizado na postagem anterior. 

No caso da Segunda Guerra Mundial, dividimos o texto em três partes:
- Antecedentes;
- A Europa caminha para a Guerra, e
- Desenrolar e Término.

 Publicamos agora, o primeiro deste três capítulos.

Apesar de não poder ser considerado um especialista neste assunto, a intenção foi apresentar um texto que possa levar o leitor o mais próximo possível do clima de tensão e incerteza que permeava aqueles dias que antecederam a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Este trabalho foi embasado em extensas pesquisas bibliográficas e focado nas relações e características pessoais dos seus principais atores. Entretanto, pela abrangência do tema e pelos objetivos desta publicação, talvez fatos relevantes tenham sido omitidos. Deste modo, contribuições serão muito bem-vindas.

A Segunda Guerra Mundial - Antecedentes
A arte de vencer é a arte de ser ora audacioso, ora prudente.
(Napoleão Bonaparte)

Nestas últimas duas décadas, diversos autores nos ofereceram oportunidades de reflexão sobre as circunstâncias que vieram a culminar em uma guerra de dimensões excepcionais em termos de destruição, ultrapassando em muito as perdas causadas pela Guerra dos Trinta Anos ou pela Grande Guerra.

Segundo Winston Churchill (1874 – 1965), considerado por muitos o principal responsável pela vitória da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial, ao tomar conhecimento da consulta pública realizada pelo presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt (1882 – 1945), para obter sugestões acerca do nome que deveria ser dado à Guerra, prontamente respondeu:

"A Guerra Desnecessária."
"Jamais houve uma guerra tão fácil de parar como aquela que apenas destruía o que restara do mundo após o conflito anterior."(234)
 
Certos eventos têm influência bastante para alterarem o curso da história de um povo ou mesmo de toda a humanidade. Este, certamente, foi o caso da Segunda Guerra Mundial. Se, ao seu final, o resultado tivesse sido diferente, possivelmente, a vida de boa parte de todos os que vivem ou viveram desde então teria seu rumo significativamente alterado. Grande parte dos historiadores compartilham a opinião de que apesar do forte impacto em nossas vidas, a maioria das pessoas têm uma visão simplista das causas e possíveis desdobramentos deste conflito, como é o caso de Eric J. Hobsbawm, respeitável cientista político.

"As origens da Segunda Guerra Mundial produziram uma literatura histórica incomparavelmente menor sobre suas causas do que as da Primeira Guerra, e por um motivo óbvio. Com as mais raras exceções, nenhum historiador sério jamais duvidou de que a Alemanha, Japão e (mais hesitante) a Itália foram os agressores. Os Estados arrastados à guerra contra os três, capitalistas ou socialistas, não queriam o conflito, e a maioria fez o que pôde para evitá-lo. Em termos mais simples, a pergunta sobre quem ou o que causou a Segunda Guerra Mundial pode ser respondida em duas palavras: Adolf Hitler."

Entretanto, como o próprio Hobsbawm afirma, logo em seguida ao texto acima, "as respostas a (estas) perguntas históricas não são, claro, tão simples".(240) E, apesar da importância e da abrangência deste evento, assim como da farta literatura a seu respeito, nos sentimos tentados a afirmar que o seu início e desenrolar tomaram caminhos e proporções não imaginados e que o mundo, pego de surpresa, foi profundamente alterado sem que as pessoas que nele viviam se dessem conta do que estavam vivenciando ou pudessem conscientemente controlar o seu curso ou prever suas conseqüências.

Em A Lógica do Cisne Negro, livro publicado originalmente em 2007, o escritor libanês Nassim Nicholas Taleb (1960 - ), ao discorrer sobre a dinâmica da incerteza presente nos mecanismos da história, intuiu que, apesar de podermos "supor que as pessoas que viveram o começo da Segunda Guerra Mundial tiveram alguma noção de que algo grandioso estava acontecendo", de forma alguma isto deve ter ocorrido. (233)

Taleb, também cita William L. Shirer (194- 1993), jornalista e escritor norte-americano, mais conhecido por seu livro Ascensão e queda do Terceiro Reich, que descreve em outro livro de sua autoria, o Diário de Berlim, 1934-1941, informações esclarecedoras sobre tal estado de espírito presente nos momentos que antecederam o início e o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, ressaltando a crença francesa de que Hitler era apenas um fenômeno transitório, resultando provavelmente na falta de preparo que determinou a rápida e subsequente capitulação da França. "Em nenhum momento a extensão real da devastação foi considerada possível." Shirer oferece uma perspectiva incomum em sua narrativa ao descrever os eventos enquanto aconteciam e não depois, escrevendo "propositadamente sem que soubesse o que aconteceria em seguida, quando a informação a que tinha acesso ainda não tinha sido corrompida pelos desenlaces posteriores."(233)

Aparentemente, a mente humana tem a necessidade de criar explicações e produzir sentido para quase tudo a sua volta, sendo a idéia da imprevisibilidade algo difícil de ser aceito e, em geral, algo a ser naturalmente combatido antes de ser analisado. A abordagem retrospectiva de fatos, cotidianos ou históricos, traz em si esta distorção e a História tem sido, com freqüência, vítima desta característica humana, parecendo bem mais coerente e organizada nos livros de história do que de fato deve ter sido na realidade. Shirer, com seu método narrativo, nos oferece novas perspectivas históricas sem a plausibilidade inevitável apresentada pela maioria dos historiadores. Esta idéia é corroborada por Taleb, conforme extrato de seu livro, transcrito abaixo:

"Fui atingido por uma crença que nunca mais me abandonou de que somos apenas uma grande máquina de olhar para trás, e que os humanos são ótimos em se auto-enganarem...
Eventos apresentam-se a nós de forma distorcida. Considere a natureza da informação: dos milhares, talvez até milhões, de pequenos fatos que prevalecem antes que um evento ocorra, apenas um número muito pequeno será considerado relevante depois do ocorrido para sua compreensão do que aconteceu. Por sua memória ser limitada e filtrada, você estará inclinado a se lembrar dos dados que se encaixam posteriormente com os fatos..." *(233)

Reforçando a posição de Shirer, Taleb traz ainda em seu texto a observação do historiador escocês Niall Ferguson (1964 - ) de que, "apesar de todos os relatos tradicionais do período que precedeu a Grande Guerra descreverem "tensões crescentes" e "crises cada vez piores", o conflito foi uma surpresa. Somente em retrospecto é que a guerra foi vista como inevitável por historiadores que olhavam para trás. Ferguson utilizou um argumento empírico inteligente para defender sua posição: ele observou os valores dos títulos imperiais, que normalmente incluem as expectativas dos investidores em relação às necessidades de financiamento do governo, cujo valor cai em períodos em que conflitos são esperados, pois guerras geram déficits graves. Mas o valor dos títulos não refletia a expectativa de uma guerra." (233)

Partindo dos pontos de vista descritos anteriormente e tentando conciliar um texto não muito extenso, mas com detalhes suficientes para não prejudicar o entendimento de como os eventos se desenrolaram, abordaremos em seguida, as questões e posições do período que antecedeu o início da Segunda Guerra e os principais envolvidos no cenário político europeu de então, que mais se parecia a um tabuleiro de xadrez, com diversas estratégias em andamento e possibilidades de desdobramento totalmente em aberto.

Os anos posteriores à Grande Guerra foram de insegurança e crises, que sucediam-se uma após a outra. Segundo Patrick J. Buchanan (1938 - ), respeitável autor e comentarista político norte-americano, durante a década de 1930, os ingleses enfrentavam um conflito entre defender seus interesses ou seus princípios, conforme descrito em seu livro "Churchill, Hitler e a Guerra Desnecessária":

"... Chamberlain e Halifax consideravam Versalhes um erro crasso, posto que negara aos alemães e austríacos o direito de autodeterminação, concedido aos poloneses e tchecos.
...Julgaram que os alemães que viviam sob domínio tcheco e polonês, em 1938, mereciam o mesmo direito de autodeterminação assegurado aos poloneses e tchecos que se encontravam sob governo alemão a austro-húngaro, em 1919. Achavam que, atendendo às justas reclamações da Alemanha e conduzindo-a de volta à Europa como grande potência e com direitos iguais, abririam o caminho em direção à paz que desejavam construir. O problema que tinham era o seguinte: se ajudassem Hitler a reunir dentro do Reich todos os alemães que quisessem fazer parte dele, estariam favorecendo o retorno da Alemanha ao que fora antes de 1914, a potência dominante da Europa. Só que agora o seu governante era Adolf Hitler, que poderia se transformar num agressor, como denotavam suas palavras no livro Mein Kampf, e se tornar uma ameaça ainda mais grave do que o Kaiser, que quase conquistou a Europa.
... Mas autodeterminação dos alemães significava a anexação da Áustria e a amputação de populações germânicas e territórios ancestrais de Polônia e Tchecoslováquia, que eram aliadas da França. Alguns bretões, como Churchill, pensavam que a Inglaterra deveria entrar em guerra, se fosse necessário, para impedir a restauração de um Reich bismarckiano na Europa central que abarcasse a Áustria. Eles julgavam que a segurança européia estava acima de qualquer reclamação germânica acerca de territórios mutilados e populações perdidas." (234)

Iniciemos então esta nossa narrativa pela data de 7 de março de 1936, quando, segundo alguns historiadores, terminou o período do pós-guerra, com a reocupação militar, por Adolf Hitler (1889 – 1945), da Renânia, região de língua alemã situada à margem esquerda do Rio Reno, que havia sido desmilitarizada e colocada sob a supervisão da França desde o final da Primeira Guerra Mundial. Apesar de violar acintosamente os Tratados de Versalhes e de Locarno, que determinavam a desmilitarização da Renânia e de uma faixa de 50 km de largura na margem direita do Reno, Hitler, contando com o apoio incontestável da população de origem germânica e com uma recepção entusiasmada de suas tropas ao chegarem à Renânia, não enfrentou qualquer reação que pudesse ser considerada enérgica ou que mostrasse alguma disposição, da França ou da Inglaterra, de fazerem valer aqueles acordos.
 
* Nota do Autor. Atualmente aceita-se como valores médios, que o cérebro humano capta cerca de 108 bytes de informação por segundo, mas somente 101 ou 102 são conscientizados, após a passagem por diversos filtros mentais.

Arquivo com o texto completo para consulta e download:

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Primeira Guerra Mundial

“A necessidade é a mãe da invenção.”
Platão


Algumas vezes a trajetória histórica da sociedade se confunde com a história da evolução tecnológica e assim o foi com a Segunda Guerra Mundial, que serviu de palco para um grande desenvolvimento técnico. Apesar de ser um grande contra-senso humano, as guerras têm servido como incubadora tecnológica, antecipando novidades, pela urgência da vitória ou para afastar a possibilidade da derrota, que em tempos de paz demorariam bem mais para tornarem-se reais. O Radar foi concebido para defender o Reino Unido dos ataques aéreos da Luftwaffe alemã, a aviação ganhou turbinas a jato, a energia atômica foi explorada e a humanidade experenciou este poder e o horror causado pelas bombas despejadas sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Diversos avanços ocorreram em outras áreas do conhecimento, mas talvez nenhuma destas inovações tenha sido tão significante para o século XX como o advento do computador eletrônico digital.

Apesar de não haver a pretensão neste texto de abranger detalhadamente a história das Grandes Guerras Mundiais, mas sim de oferecer ao leitor o cenário e o contexto em que viveram diversas personalidades que vieram a realizar importantes contribuições à ciência da computação, optamos, em virtude da importância destes eventos, em tratá-los de forma um pouco mais cuidadosa do que seria o esperado de um texto sobre a história da tecnologia. Por outro lado, esta também é uma oportunidade e uma tentativa de apresentarmos, de forma mais atrativa, um breve relato destes episódios àqueles que, oriundos da área tecnológica, em geral, não demonstram interesse significativo pelo assunto.   

Em breve o texto sobre a Segunda Guerra Mundial será também postado.

Arquivo com o texto completo para consulta e download:
A Primeira Guerra Mundial

terça-feira, 20 de abril de 2010

Implantação e Gestão de Processos de Desenvolvimento - 2

Para os alunos dos cursos de Administração e Sistemas de Informação da FACULDADE SANTA TEREZINHA, do grupo Anhanguera Educacional, segue a postagem da apresentação da aula do Prof. André Andrade, no dia 16/04/2010.

Arquivo com a apresentação completa para consulta e download:
Implantação e Gestão de Processos de SW - seg. parte
 
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